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Apesar da pouca idade – apenas 21 anos – o
goiano Célio Vinicius de Oliveira enfileira em suas prateleiras uma
invejável coleção de títulos. A história de vitórias de Célio começou no
hotel que a família possuía no Tocantins. Para divertir os hospedes, o hotel
ganhou um jet. Célio tinha apenas 7 anos e foi nesse jet que começou a
pilotar. Apaixonou-se pelo esporte, e dois anos depois, implorou ao pai que
o levasse para participar de uma competição.
Claro que foi impossível: na época, a idade
mínima para participar de competições de jet era de 16 anos.mas o menino não
queria esperar tanto tempo. Quando tinha 13 anos, em 1996, seu pai, Célio de
Oliveira, conseguiu uma liminar para que o filho pudesse participar das
competições locais. Célio provou que o esforço do pai havia valido a pena,
ao sagrar-se campeão goiano na categoria novatos. No ano seguinte, “com
muita insistência”, seu pai o levou para participar do campeonato paulista.
“Na época, a promessa do meu pai era me levar em uma única etapa do
campeonato e nunca mais, pois ele ainda não estava muito empolgado com a
idéia. Nunca tivemos competidores profissionais na família”, conta.
Mas Célio não deixou por menos: venceu o
campeonato paulista e, como se não bastasse, foi campeão goiano mais uma
vez. O crescimento profissional de Célio estava apenas começando. Em 1998,
“após muito aprendizado”, ele ficou em primeiro lugar na categoria sport
stock e em terceiro na categoria sport superstock do campeonato brasileiro.
Para não perder o costume, também faturou o ouro nos campeonatos goiano e
paulista daquele ano. Resolveu participar de um campeonato mundial “para
ganhar experiência”, e foi o piloto mais jovem a participar de um
mundial.liderou a corrida por algumas voltas, mas acabou caindo do jet e
terminou em sétimo lugar. Em 1999, Célio marcou definitivamente seu nome no
esporte. Aos 16 anos, ele foi, mais uma vez, campeão goiano, paulista e
brasileiro. Foi novamente aos Estados Unidos para o mundial, “cheio de
esperança de terminar entre os três primeiros, mas terminei em primeiro em
duas categorias, expert sport limited e sport superstock. O ano de 1999 com
certeza foi a minha consagração no jet.”
Apesar da pouca idade, Célio já se sentia
maduro para empreitadas maiores. Em 2000, foi morar nos Estados Unidos para
correr o circuito norte-americano. Venceu sete das oito provas disputadas e
sagrou-se campeão norte-americano de jet na sport superstock. Também venceu
o brasileiro pela quarta vez. No entanto, apesar da experiência, não
conseguiu levar o mundial: “ não andei bem, cai e fiquei em quarto lugar”,
relembra. No ano seguinte, ainda morando nos Estados Unidos, foi novamente
campeão norte-americano. Em águas brasileiras, correu pela primeira vez com
jet stand up (onde o piloto fica em pé) e logo de cara, como já é de
costume, conseguiu vencer nessa categoria, a ski stock. Nos Estado Unidos
não conseguiu o titulo na categoria profissional, e resolveu voltar a morar
no Brasil. “ A derrota é o momento mais sofrido do esporte. Eu costumava dar
muito trabalho quando era mais novo, pois era muito difícil absolver esses
momentos. Hoje consigo aprender, analisar cada resultado, correr pensando no
campeonato e não nas baterias isoladas”, pondera.
Já no Brasil, prestou vestibular e entrou na
faculdade de engenharia civil em Goiânia. Em 2002, atrás de novos desafios,
resolveu correr também na categoria runabout 1200 superstock. Naquele ano,
ele finalmente conquistou seu primeiro titulo mundial na pro sport
superstock. Foi a primeira vez que um brasileiro conseguiu este titulo na
categoria profissional. “Vencer o mundial é o ponto máximo na carreira de
um piloto de jet. É uma realização muito grande, simplesmente você é o
melhor naquilo. Demora um pouco ate cair a ficha, mas hoje eu entendo bem
melhor o que é ser um campeão mundial”, diz.
No ano passado, Célio adicionou à sua coleção
de títulos mais um brasileiro na categoria runabout 1200 superstock e mais
um mundial na sport superstock. “Acho que nunca teve alguém no jet que
treinasse tanto quanto eu, que ia parta a água todos os dias, quando
terminava de estudar. Tinha uma grande facilidade, porque o lago onde
treinava era apenas quinze minutos de casa. Eu treinava quase sempre
sozinho, os pilotos só apareciam nos finais de semana”, lembra.
O apoio da família e da equipe é fundamental:
“Acho que devo tudo o que consegui a minha família e aos meus mecânicos,
Mauricio Almeida e Edson Morais. Minha mãe, Lú, e minha irmã, Lara Luci,
foram a praticamente todas as competições em que participei, e não apenas
para assistir, mas como membros da equipe.” Quando indagado sobre ídolos,
Célio não tem duvidas: “Meu maior ídolo sempre foi meu pai.no jet, eu
comecei a ganhar dos meus ídolos nacionais aos 14 anos e aos 18 anos eu
venci Dustin Farthing, meu ídolo fora do Brasil. Hoje no esporte eu não
tenho mais ídolos, mas concorrentes. Então meu maior ídolo é meu pai, a quem
eu ainda não consegui vencer. Minha alegria em competir esta relacionada com
a alegria dele em me ver competindo.”
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